Tragédia que deixa perdas maiores do que as aparentes.

A tragédia que vitimou 2 pessoas, deixando 22 feridos e expondo a imagem de BH para o mundo revela perdas maiores do que as aparentes. Todas as vezes que acontece um acidente aéreo, quem perde não é a companhia aérea e os familiares das vítimas, mas a aviação mundial. Todas as vezes que um político corrupto é condenado por roubar o dinheiro público, quem perde não é a cidade, estado ou o país, mas a credibilidade da classe que deveria ser exemplo. Para não dizer que não falamos do que ultimamente parece ser a única coisa que interessa, todas as vezes que um goleiro falha, perde o time, a torcida e os patrocinadores. No episódio da queda do viaduto Guararapes na Av. Pedro I, perdeu BH, perdeu MG, o Brasil e especialmente a engenharia nacional. Dela esperamos obras seguras, independente dos arranjos de bastidores.

 

É inadmissível que em 2014, com tantos recursos tecnológicos e com tamanho avanço da engenharia que faz pontes de 30 km, sobre o mar revolto de países asiáticos ou até mesmo a maravilha que é a Ponte Rio Niterói aqui mesmo no Brasil, BH e o mundo assistam um vexame de tamanha envergadura para a engenharia  e  para o povo mineiro. Sempre ouvi dizer que as falcatruas permeiam o universo das obras públicas no Brasil. Mas até aqui, nenhuma delas em virtudes de desvios, colocou em risco a vida de milhares de cidadãos de uma cidade importante como a Capital de Minas Gerais. Se mais do que fechar os olhos para a roubalheira os Belo-horizontinos não puderem confiar nas obras que são feitas com o seu dinheiro, o mundo só pode estar acabando e a justiça está mais cega do que o recomendável e precisa acordar.

 

Quem teve a oportunidade de transitar nas proximidades desta obra nos últimos meses, como eu tive, presenciou um festival de absurdos que envolve todas as esferas de governos e órgãos fiscalizadores. Falharam os engenheiros que não ouviram os alertas dos operários e da população que enxergava erros a olhos nus. Falharam o CREA, a Sudecap, o Ministério Público, a Procuradoria do Município, os Vereadores, o Prefeito e seus secretários que não fiscalizaram. Falhou o Ministério do Trabalho que não autuou as empreiteiras por desrespeitarem as normas de segurança, explicitamente. Falhou a BH Trans e o BPTRAN pelo caos que virou a região durante a obra. Falharam as Associações de Bairro que aceitaram caladas a desordem. A imprensa fez o seu papel denunciando e mostrando diuturnamente os absurdos, e eles continuam acontecendo.

 

Com efeito, deste triste episódio sobrou omissões, negligencias, prevaricações. Faltou autoridade, organização, planejamento e respeito pela coisa publica. Lições devem ser tiradas para que o luto e o vexame sejam evitados nas próximas obras. Até por que, iguais ou maiores do que esse, BH precisa urgentemente de pelo menos 50 viadutos, e algumas dezenas de pontes, trincheiras e tuneis capazes de melhorar a fluidez que piora a cada dia. Da Engenharia a sociedade espera uma resposta e soluções que nos permitam transitar em meio as obras da cidade sem o medo de que elas despenquem na nossa cabeça, causando prejuízos maiores do que os da insensatez e da incompetência de governantes sem vocação, adeptos das desculpas e justificativas estapafúrdias. Perdoe-me, mas “viadutos não costumam cair” nem aqui, nem na china.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Presidente do Conselho de Política Urbana da ACMinas

CRA-MG 08.00094/D

31-9953-7945

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